É notório que os modelos de competição por custos, em que um repassava seus custos para outro na cadeia de saúde, parece ter se esgotado. Juntamente à perda econômica social, o dinheiro ficou mais caro e raro. Agravado pelos hiatos relacionais de negócios impostos pela pandemia, a necessidade de mudar o modelo de como as operações funcionam tornou-se imperativa. Não há como as operadoras diluírem seus custos, mas a evasão de credores dos planos forçou esse braço da cadeia a buscar alternativas para diluir os custos de suas operações. Em contrapartida, com a alta dos insumos, a saúde ficou mais cara para os fornecedores, o que, em consequência, elevou o preço da prestação ao usuário final.
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Minhas aulas
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Caso
Para aprofundar os conhecimentos obtidos até aqui, você vai conhecer a seguir um caso acerca da Entrega de valor em saúde, que contribuirá significativamente para a sua atuação profissional. Vamos lá?
Caso 1
Histórico
O presente estudo de caso tem por objetivo desenvolver a sua capacidade interpretativa na governança clínica em saúde e torná-lo assertivo diante de processos críticos, como a crise econômica industrial da saúde e o desafio de transformação dos modelos atuais para os modelos baseados em valor.
Há mais de duas décadas, os sistemas de saúde público e privado vêm se monitorando e prototipando modelos sustentáveis que levem à estabilidade e/ou ao crescimento de modo a atender a todos os atores do sistema.
As reportagens a seguir servirão de referência para nossos questionamentos e observações sobre o tema.
Caso 1
Leia a matéria a seguir e reflita sobre a construção de valor.
Fonte: Koike (2023).
Desafio
Com base no histórico apresentado na leitura da matéria, resposta a questão a seguir.
Reflita
Faça uma análise de gestão com base na matéria apresentada e dê um exemplo plausível da participação efetiva da fisioterapia na oferta de construção de valor.
Solução
Confira a seguir as reflexões esperadas.
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É notório que os modelos de competição por custos, em que um repassava seus custos para outro na cadeia de saúde, parece ter se esgotado. Juntamente à perda econômica social, o dinheiro ficou mais caro e raro. Agravado pelos hiatos relacionais de negócios impostos pela pandemia, a necessidade de mudar o modelo de como as operações funcionam tornou-se imperativa. Não há como as operadoras diluírem seus custos, mas a evasão de credores dos planos forçou esse braço da cadeia a buscar alternativas para diluir os custos de suas operações. Em contrapartida, com a alta dos insumos, a saúde ficou mais cara para os fornecedores, o que, em consequência, elevou o preço da prestação ao usuário final.
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Uma alternativa viável representada pelos atores da saúde é a coparticipação dos riscos que envolvem o reabastecimento do sistema. A maioria das novas oportunidades partirão de acordos de relação ganha-ganha. Nesse processo, alguns irão sangrar mais que outros, que não conseguirão estancar suas hemorragias. Contudo, onde há crise, há oportunidades. Diversos atores não primários da saúde podem ser um fator decisivo e contribuinte na transição de um modelo mais centrado e voltado ao usuário, ao mesmo tempo que atendem a toda a cadeia produtiva da saúde. Esse modelo é baseado em valor. As health techs, atores de tecnologia da informação, transitam nessa oportunidade, trazendo modelos de controle de custos, a fim de melhorar a gestão da governança clínica e proporcionar sustentabilidade com controle do desperdício.
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Uma alternativa viável representada pelos atores da saúde é a coparticipação dos riscos que envolvem o reabastecimento do sistema. A maioria das novas oportunidades partirão de acordos de relação ganha-ganha. Nesse processo, alguns irão sangrar mais que outros, que não conseguirão estancar suas hemorragias. Contudo, onde há crise, há oportunidades. Diversos atores não primários da saúde podem ser um fator decisivo e contribuinte na transição de um modelo mais centrado e voltado ao usuário, ao mesmo tempo que atendem a toda a cadeia produtiva da saúde. Esse modelo é baseado em valor. As health techs, atores de tecnologia da informação, transitam nessa oportunidade, trazendo modelos de controle de custos, a fim de melhorar a gestão da governança clínica e proporcionar sustentabilidade com controle do desperdício.
3
Um exemplo possível de participação efetiva da fisioterapia seria a gestão funcional de carteiras de planos, no intuito de mapear preventivamente os efeitos deletérios e os declínios funcionais que ocorrem na fatia mais cara da saúde suplementar (> 70% das despesas em saúde no Brasil). Essa oportunidade se somaria à saúde primária, podendo atuar na prevenção de modelos de linha de cuidados de idosos ao mitigar riscos potenciais de agravo de doenças crônicas e agudas, como queda da própria altura com fratura e hospitalização.
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Um exemplo possível de participação efetiva da fisioterapia seria a gestão funcional de carteiras de planos, no intuito de mapear preventivamente os efeitos deletérios e os declínios funcionais que ocorrem na fatia mais cara da saúde suplementar (> 70% das despesas em saúde no Brasil). Essa oportunidade se somaria à saúde primária, podendo atuar na prevenção de modelos de linha de cuidados de idosos ao mitigar riscos potenciais de agravo de doenças crônicas e agudas, como queda da própria altura com fratura e hospitalização.
4
O gerenciamento da saúde passará por todos da cadeia de saúde a partir da prototipagem de modelos de entrega de valor em saúde. Assim, deve-se trazer o foco para a realização de entrega de desfechos que importam ao usuário de forma transparente. Por meio de dados acessíveis, com uma comunicação coerente e efetiva, o processo se tornará cada vez mais assertivo e, consequentemente, trará melhores entregas das mesmas coisas e competindo por qualidade.
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O gerenciamento da saúde passará por todos da cadeia de saúde a partir da prototipagem de modelos de entrega de valor em saúde. Assim, deve-se trazer o foco para a realização de entrega de desfechos que importam ao usuário de forma transparente. Por meio de dados acessíveis, com uma comunicação coerente e efetiva, o processo se tornará cada vez mais assertivo e, consequentemente, trará melhores entregas das mesmas coisas e competindo por qualidade.
5
A fisioterapia tem o papel fundamental de educar e aculturar o sistema pelo modelo da funcionalidade. A contribuição desse pensar é de fundamental importância para a governança e seus investimentos. Por meio da individualização dos desfechos que interessam aos usuários de CID-10|11, a fisioterapia ganhará papel de importância na cadeia de valor em saúde. Contudo, há necessidade de rever pontos importantes, como gerenciamento de dados, indicadores centrais, padronização assistencial e linhas de cuidado com metas claras, realistas e na premissa do tempo.
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A fisioterapia tem o papel fundamental de educar e aculturar o sistema pelo modelo da funcionalidade. A contribuição desse pensar é de fundamental importância para a governança e seus investimentos. Por meio da individualização dos desfechos que interessam aos usuários de CID-10|11, a fisioterapia ganhará papel de importância na cadeia de valor em saúde. Contudo, há necessidade de rever pontos importantes, como gerenciamento de dados, indicadores centrais, padronização assistencial e linhas de cuidado com metas claras, realistas e na premissa do tempo.
Caso 2
Leia a matéria a seguir e reflita sobre a participação do usuário no sistema de saúde.
Fonte: Varella (2023).
Desafio
Com base no histórico apresentado na leitura da matéria, resposta a questão a seguir.
Reflita
Faça uma análise de gestão com base na matéria apresentada e dê um exemplo plausível da participação efetiva da fisioterapia na oferta de construção de valor.
Solução
Confira a seguir as reflexões esperadas.
1
As condições de saúde de um país e de sua população sempre estiveram atreladas à condição socioeconômica e à cultura de saúde (presença de saúde primária ou não). Os atores de saúde sempre se beneficiaram do modelo econômico social no Brasil. A carência de oferta de saúde pública e de programas de prevenção acaba determinando a cultura de consumir saúde (planos de saúde) e cuidar da saúde apenas quando “realmente precisar”.
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As condições de saúde de um país e de sua população sempre estiveram atreladas à condição socioeconômica e à cultura de saúde (presença de saúde primária ou não). Os atores de saúde sempre se beneficiaram do modelo econômico social no Brasil. A carência de oferta de saúde pública e de programas de prevenção acaba determinando a cultura de consumir saúde (planos de saúde) e cuidar da saúde apenas quando “realmente precisar”.
2
Essa cultura não se descolou do usuário, levando-o ao efeito moral hazard, caracterizado pelo uso indiscriminado do plano de saúde a partir do momento que se adquire um plano. Esse efeito de erro educacional no uso do sistema é um dos ofensores do processo de entrega de valor em saúde. Imagine que um indivíduo, não satisfeito com o resultado de um ou dois médicos, busca uma terceira opinião, mesmo com melhoras ou ausência dos sintomas.
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Essa cultura não se descolou do usuário, levando-o ao efeito moral hazard, caracterizado pelo uso indiscriminado do plano de saúde a partir do momento que se adquire um plano. Esse efeito de erro educacional no uso do sistema é um dos ofensores do processo de entrega de valor em saúde. Imagine que um indivíduo, não satisfeito com o resultado de um ou dois médicos, busca uma terceira opinião, mesmo com melhoras ou ausência dos sintomas.
3
A partir desse princípio, novos exames são repetidos para a mesma conclusão. Qual é o impacto disso no processo de entrega de valor? Se o valor está diretamente atrelado ao desfecho desejado pelo usuário, diante dos resultados clínicos apresentados e esperados como possíveis e realistas, quando nos distanciamos do objetivo, infringimos a premissa. No exemplo anterior, o usuário está gerando transferência de custos, sendo ele próprio um dos atores que mais será atingido. Os custos dos exames (insumos e taxas) serão passados ao plano de saúde. O tempo da equipe médica assistencial será desperdiçado em um fluxo de sobretratamento, e os preços, de acordo com o modelo fee-for-service, são variáveis e tem de ser pagos pelo acordo.
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A partir desse princípio, novos exames são repetidos para a mesma conclusão. Qual é o impacto disso no processo de entrega de valor? Se o valor está diretamente atrelado ao desfecho desejado pelo usuário, diante dos resultados clínicos apresentados e esperados como possíveis e realistas, quando nos distanciamos do objetivo, infringimos a premissa. No exemplo anterior, o usuário está gerando transferência de custos, sendo ele próprio um dos atores que mais será atingido. Os custos dos exames (insumos e taxas) serão passados ao plano de saúde. O tempo da equipe médica assistencial será desperdiçado em um fluxo de sobretratamento, e os preços, de acordo com o modelo fee-for-service, são variáveis e tem de ser pagos pelo acordo.
4
Então, as fontes pagadoras iniciam o processo de negação do acesso, o que atingirá a todos, incluindo os usuários que utilizam o sistema corretamente. Se isso não der equilíbrio financeiro, a fonte pagadora (planos) descredencia os prestadores (limitação geográfica ao usuário), ou os prestadores desfazem acordos com planos de saúde que tentam renegociar contratos com limites de uso de prestação.
Assim, a alternativa mais plausível continua sendo todos participarem da reconstrução do sistema.
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Então, as fontes pagadoras iniciam o processo de negação do acesso, o que atingirá a todos, incluindo os usuários que utilizam o sistema corretamente. Se isso não der equilíbrio financeiro, a fonte pagadora (planos) descredencia os prestadores (limitação geográfica ao usuário), ou os prestadores desfazem acordos com planos de saúde que tentam renegociar contratos com limites de uso de prestação.
Assim, a alternativa mais plausível continua sendo todos participarem da reconstrução do sistema.
5
No que tange ao usuário, a sua participação consciente deverá ser educada desde a sua aquisição, afastando, assim, o efeito moral hazard. Fontes e prestadores precisam educar seus usuários. Para tanto, os números e resultados precisam estar claros e acessíveis para que esse produto de saúde seja confiável e represente, de fato, uma relação ganha-ganha. O usuário tem de ter o controle de escolha para seus desfechos desejosos, mas, para isso, o sistema de saúde tem de lhe oferecer mais do que uma cobertura.
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No que tange ao usuário, a sua participação consciente deverá ser educada desde a sua aquisição, afastando, assim, o efeito moral hazard. Fontes e prestadores precisam educar seus usuários. Para tanto, os números e resultados precisam estar claros e acessíveis para que esse produto de saúde seja confiável e represente, de fato, uma relação ganha-ganha. O usuário tem de ter o controle de escolha para seus desfechos desejosos, mas, para isso, o sistema de saúde tem de lhe oferecer mais do que uma cobertura.
Referências
Para acessar as referências e os créditos desta aula, clique aqui.
KOIKE, B. Crise une laboratório, hospital e operadora. Valor Econômico, 24 maio 2023. Disponível em: https://valor.globo.com/empresas/noticia/2023/04/24/crise-une-laboratorio-hospital-e-operadora-1.ghtml. Acesso em: 19 maio 2023.
VARELLA, D. Planos de saúde. GZH, 21 abr. 2023. Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/drauzio-varella/noticia/2023/04/planos-de-saude-clgp649sn002j016xzaixbfad.html. Acesso em: 19 maio 2023.
Para acessar as referências e os créditos desta aula, clique aqui.
KOIKE, B. Crise une laboratório, hospital e operadora. Valor Econômico, 24 maio 2023. Disponível em: https://valor.globo.com/empresas/noticia/2023/04/24/crise-une-laboratorio-hospital-e-operadora-1.ghtml. Acesso em: 19 maio 2023.
VARELLA, D. Planos de saúde. GZH, 21 abr. 2023. Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/drauzio-varella/noticia/2023/04/planos-de-saude-clgp649sn002j016xzaixbfad.html. Acesso em: 19 maio 2023.
Você chegou ao final do Caso! Espero que os conhecimentos adquiridos ao longo da disciplina tenham contribuído para o momento de reflexão sobre sua conduta enquanto profissional.
Até a próxima!
Roteiro de Estudos
Olá!
Chegou a hora de tomar a sua dose de conhecimentos. Acesse as indicações e tenha o melhor resultado em sua aprendizagem.
Aqui, você vai encontrar mais conteúdos para aprofundar seus estudos nos principais temas que permeiam a disciplina Entrega de valor em saúde.
Aprecie sem moderação.
Competição por valor
No Capítulo 4 do livro indicado, são explicados os conceitos de competição por valor. As condições e a estratégia para construção de valor são realizadas por meio das aplicações nos caminhos certos e nas coisas certas, o que gera a redução de custos responsáveis sem alterar a qualidade e a segurança na entrega dos serviços.
Este livro é considerado por muitos o mais importante marco da virada estratégica de custo-efetividade na saúde. Nele, os autores explicam com clareza o por que que os modelos atuais implicam insucessos na indústria da saúde e nos colocam em condições de vulnerabilidade insustentáveis.
Hora da consulta
PORTER, M. E.; TEISBERG, E. O. Repensando a saúde: estratégia para melhorar a qualidade e reduzir os custos. Porto Alegre: Bookman, 2007. Disponível em: https://biblioteca-a.read.garden/book/9788577800544.
Novo mercado de saúde
O livro indicado apresenta uma análise do futuro de um novo modelo de pensar a saúde e, principalmente, a prestação médica. Ele ajuda a esclarecer e a aprofundar os princípios da entrega de valor e o papel dos atores dessa cadeia de saúde complexa e conservadora. O professor Clemente Nóbrega é um físico com ampla experiência administrativa em saúde suplementar e atua na construção de modelos de ensino baseado em valor.
Entre suas obras literárias, esta é a mais alinhada com o nosso pensar. A multidisciplinaridade, a linha de cuidado com uso racional de recursos tecnológicos, pessoas e melhores processos são creditados por ele como a chave-mestra para que se tenha a entrega de desfecho, ou seja, o resultado que interessa ao paciente (cliente). A provocação do autor está na maneira como a medicina é montada há mais de 100 anos de maneira medicocêntrica, quando, na verdade, deveria ser centrada no paciente e nos resultados (desfechos) que interessam a eles.
Na busca de um novo modelo de saúde, o autor convida a todos a repensar uma condição sustentável para a mudança de modelos de remuneração, com foco na transparência de dados críveis e inteligíveis para que haja uma assistência de fácil acesso a todos.
Hora da consulta
NOBREGA, C. O novo mercado da saúde e o novo médico: como a informação reinventa a prática médica, muda as formas de remuneração e inverte a lógica vigente há mais de 100 anos. Rio de Janeiro: Mistermind, 2021.
Dilemas da inovação
Hora da consulta
CHRISTENSEN, C. M. O dilema da inovação: quando as novas tecnologias levam as empresas ao fracasso. São Paulo: M.Books, 2011.
Agência Nacional de Saúde
O site da Agência Nacional de Saúde (ANS) compartilhou, em modelo digital, um guia de boas práticas e ideias para a construção de modelos baseados em valor.
A ANS preparou um guia que percorre toda a trajetória oportuna de entendimento de quais barreiras devemos enfrentar para a construção de um novo modelo de remuneração da saúde. Não se trata de uma solução simples e rápida, porém o modelo atual do fee-for-service é um ofensor ao equilíbrio financeiro do sistema de saúde. Diversos modelos são apresentados como alternativas de melhorias, seja de maneira individual, seja de forma híbrida. Contudo, na prática, ainda estamos longe do processo de implementação, uma vez que as raízes dos negócios continuam em modelos que competem por custos.
Hora da consulta
AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR. Valor em saúde: guia para implementação de modelos de remuneração baseado em valor. Rio de Janeiro: ANS, 2019. Disponível em: https://www.gov.br/ans/pt-br/arquivos/assuntos/gestao-em-saude/projeto-modelos-de-remuneracao-baseados-em-valor/guia_modelos_remuneracao_baseados_valor.pdf.
Gestão do conhecimento
Nesta obra, os autores, da Universidade de Hitotsubashi, considerada por muitos uma das escolas mais potentes do mundo dos negócios, trazem o que há de mais desafiador e de maior impacto para o sucesso competitivo nas empresas: a gestão do conhecimento.
Vivemos hoje na sociedade do conhecimento, sociedade esta que não usa máquinas, linhas de montagens ou robôs como “meios de produção”. Seus meios de produção estão na mente e nas mãos das pessoas que nela trabalham. O livro apresentado é uma corajosa tentativa de repensar a gestão a partir da perspectiva do conhecimento.
Como devemos pensar sobre estratégia, organização, branding, competição global ou tecnologia da informação (TI) do ponto de vista do conhecimento?
Esse ativo é o diferencial competitivo que servirá de gerador de valor de maneira sustentável. O aculturamento do conhecimento é o combustível para recriar, cocriar e inovar dentro de qualquer empresa e gestão.
Hora da consulta
HIROTAKA, T., IKUJIRO, N. Gestão do conhecimento. Porto Alegre: Bookman, 2008. Disponível em: https://biblioteca-a.read.garden/book/9788577802296.
Gestão em saúde
Hora da consulta
QUINAN, C.; BALESTRIN, F. Gestão em saúde: guia prático para reconstruir o futuro. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.
Conhecimento e autoconhecimento
Clique nos itens a seguir para conferir o conteúdo.
Adam Grant é reconhecido como um dos estudiosos mais influentes na área de recursos humanos. Como professor, além de ser o mais bem-avaliado da Wharton School, foi considerado um dos 40 melhores docentes de administração com menos de 40 anos. Sua obra nos remete à provocação de reaprender a aprender. É um grande desafio reconstruir modelos mentais à medida que fatores externos são impostos à dinâmica de trabalho e entrega.
Por meio deste livro, será possível estabelecer a relação entre autoconhecimento e associações de crescimento e ganhos mútuos. O autor possibilita a reflexão do entendimento afastando-nos das armadilhas impostas pelo ego e pela soberba do falso saber. As síndromes do impostor e do jogador de araque e o efeito dunning-kruger são apresentados como exemplos do comportamento da mente humana diante do que consideramos ser conhecimento. O autor apresenta de maneira clara como devemos conduzir a nossa mente para o sucesso do conhecimento verdadeiro.
É possível que respostas repensadas não sejam inerentemente melhores. No entanto, pesquisas recentes com estudantes demonstraram que o que faz diferença não é meramente mudar a resposta, mas sim refletir se ela deve ser mudada. A questão não é que temos medo de repensar respostas; temos medo da própria ideia de repensar. Vejamos um experimento em que centenas de universitários foram escolhidos de forma aleatória para aprender sobre a falácia do primeiro instinto. Um palestrante explicou a eles como era importante mudar de ideia e em que ocasiões fazer isso.
Ainda assim, nas duas provas seguintes que fizeram, os estudantes não se mostraram nem um pouco mais propensos a reconsiderar suas respostas. Parte do problema é a preguiça criativa. Alguns psicólogos alegam que somos “sovinas mentais”: preferimos a facilidade de nos agarrarmos a visões antigas à dificuldade de compreender ideias novas. No entanto, também existem forças mais profundas por trás dessa resistência. Quando nos questionamos, o mundo torna-se mais imprevisível. Somos forçados a admitir que os fatos podem ter mudado, que algo que antes era correto agora pode ser errado. Repensar algo em que acreditamos piamente é uma ameaça à nossa identidade, pois nos dá a sensação de que estamos perdendo uma parte de nós.
Hora da consulta
GRANT, A. Pense de novo: o poder de saber o que você não sabe. Rio de Janeiro: Sextante, 2021.
Humanização da saúde
Clique nas setas e saiba mais sobre o artigo.
Hora da consulta
BENEVIDES, R.; PASSOS, E. Humanização na saúde: um novo modismo? Interface Comunicação, Saúde e Educação, Rio de Janeiro, v. 9, n. 17, p. 389-406, mar./ago. 2005.
Resolução de problemas
Clemente Nóbrega em seu linkedin aborda como implantar um processo de mudança efetivo em organizações, acesse o link abaixo e leia como do autor defende e esquematiza uma teoria desenvolvido por ele para a solução de problemas.
Hora da consulta
NOBREGA, C. Perguntas mais comuns de como podemos resolver os problemas da crise da saúde no Brasil. Rio de Janeiro, maio 2023. LinkedIn: Clemente Nobrega. Disponível em: https://www.linkedin.com/posts/clementenobrega_12-j%C3%A1-participou-de-algum-f%C3%B3rum-para-discutir-activity-7057363868246773760-Tczb?utm_source=share&utm_medium=member_desktop.
Propostas para o SUS
Clique nos itens a seguir para conferir o conteúdo.
Michael Porter e Elizabeth Teisberg são professores e pesquisadores da Harvard Business School, sendo o primeiro um dos pensadores mais importantes sobre estratégia e competição do mundo. A ideia central dos autores é que a saúde pública está em rota de colapso, com o aporte cada vez maior de recursos e sinais claros de que a qualidade do atendimento está declinando sensivelmente.
Os usuários não têm acesso a procedimentos básicos, e a prestação de serviços com qualidade é cada vez mais irregular. Há longas horas de espera em hospitais e postos de saúde, e pode levar até mesmo meses para se conseguir realizar um exame. Primeiro, é apresentada a proposta dos autores para a solução do problema citado: o modo mais rápido e barato de redefinir a situação atual de crise na saúde é medir os resultados em relação aos benefícios alcançados pelos pacientes e, com base nesses resultados, incentivar a competição entre os prestadores de serviço por mais pacientes.
Para os autores, a competição barateia os serviços e destaca os competidores excelentes em todas as áreas, o que teria ocorrido na área da saúde, desde que a competição fosse pelo motivo correto, o que não aconteceu. Examinamos as ideias defendidas por Porter e Teisberg no Capítulo 8 do livro para incentivar a competição correta entre os prestadores de serviço, como sugestão de aplicação pelo governo norte-americano, e destacamos as que consideramos relevantes para a aplicação no caso brasileiro, especificamente pelo SUS.
Para os autores, o governo, como operador de gigantescos sistemas de saúde e detentor de informações sobre os serviços prestados e os pagamentos realizados, pode ser o instrumento de uma grande modificação da qualidade da saúde pública. Ao modificar a maneira pela qual os serviços são pagos e as informações são levantadas e utilizadas, o governo pode gerar uma força reorganizadora do sistema, que impulsionará a excelência no atendimento, ampliada para fora da própria rede pública. Nesse contexto, expomos como o SUS poderia se beneficiar das sugestões feitas ao governo norte-americano e descrevemos medidas a serem tomadas para a sua implementação.
Nesta parte, veremos como o SUS já tem instrumentos que facilitam a adoção das ideias dos autores, como o PNASS, o Cartão Nacional de Saúde, o Datasus e a estrutura da Tabela de Preços do SUS. O ponto-chave para a mudança é a adoção de informações sobre o resultado alcançado pelo paciente em relação à sua saúde após ter sido atendido em um ciclo completo de atenção e para condições de saúde específicas. A publicação periódica dessas informações para conhecimento de toda a comunidade envolvida e o seu uso para a renovação de contratos, convênios e certificados emitidos, por exemplo, levarão a uma seleção natural de prestadores que sejam excelentes naquilo que fazem.
Hora da consulta
NEVES, N. A. B. Estratégias de competição em saúde para o Sistema Único de Saúde: uma proposta baseada nas ideias de Porter e Teisberg. In: CONGRESSO CONSAD DE GESTÃO PÚBLICA, 2., 2009, Brasília/DF. Anais [...]. Brasília/DF, 2009, Painel 44: gestão da saúde. Disponível em: http://www.escoladegoverno.pr.gov.br/arquivos/File/Material-%20CONSAD/paineis-II-congresso-consad/painel-44/estrategias-de-competicao-em-saude-para-o-sus.pdf.
Gestão
Desde o início, a prática da medicina ignorou a disciplina que conhecemos como gestão. O preço que pagamos por isso é alto até hoje. Apenas há pouco tempo as lideranças do setor, pressionadas pela evidente insustentabilidade dos modelos existentes, começaram a tentar desconstruir cem anos de “memórias instaladas” em prestação de cuidados médicos.
Setor
1. Setor
Como alguém famoso disse, “é estranho que tenha demorado tanto para que a gestão cravasse os dentes num setor que é responsável por 7 a 15% do PIB de quase todos os países desenvolvidos”. No entanto, a casca da saúde é grossa. O resultado das tentativas não tem sido muito animador.
Identificação de problemas
2. Identificação de problemas
No Brasil, poderia ser diferente se as lideranças e os formuladores de políticas em saúde entendessem a natureza do problema que dizem estar tentando resolver. Se estudaram gestão, não absorveram a essência da coisa, que é identificar as causas de problemas, priorizá-las e agir para resolvê-las a partir do mais alto grau de prioridade.
Gestão
3. Gestão
Gestão é resolver problemas que impedem organizações de fazerem boas “entregas”, e o problema aqui não é “como pagar pela assistência médica”, mas sim “como tornar a assistência médica pagável”. O que a gestão revelou foi que trabalhar com mais inteligência é muito mais produtivo do que trabalhar mais. Saúde e educação ignoraram a gestão, e até hoje são os dois setores em que não há ganhos de produtividade; ou seja, paga-se cada vez mais para não sair do lugar em termos de benefícios obtidos.
Valor
4. Valor
A verdade é que o setor de saúde destrói o valor. Para entender o porquê dessa afirmação, lembre-se da relação VALOR = DESFECHOS / CUSTOS. Se, ano a ano, os custos sobem sem melhoria dos resultados para os pacientes, o valor diminui ano a ano. Se, para obter o mesmo resultado (desfechos) em um tratamento feito em 2022, você tem de pagar mais do que teria pagado pelo mesmo tratamento em 2021 (corrigindo pela inflação, etc.), o valor está sendo destruído, não criado. Você nem precisa saber definir “valor”, todos sentimos no bolso o que é destruição de valor em saúde.
Desfechos
5. Desfechos
A ausência de competição entre os provedores para entregar os melhores resultados para pacientes e a falta de dados (desfechos) explícitos e acessíveis são o alvo a ser perseguido na entrega de valor ao usuário. Se a ANS começar a enfatizar a dinâmica certa, que é aferição de desfechos ® auditoria de desfechos ® divulgação de desfechos ® criação de modelos de negócio disruptivos, ela poderá ter sucesso em sua missão como reguladora e iniciar de forma legal um caminho regrado para entrega de valor em saúde.
Hora da consulta
NOBREGA, C. A “maldição” de Michael Porter: como 100 anos de desprezo à gestão travam suas propostas, e o que a ANS deveria estar fazendo, mas não está? Rio de Janeiro, jan. 2023. LinkedIn: Clemente Nobrega. Disponível em: https://www.linkedin.com/posts/clementenobrega_ans-vbhc-michaelporter-activity-7007687233579200512-ZslI?utm_source=share&utm_medium=member_desktop.
Sucesso e estratégia
Esta obra de Margretta mostra como as ideias de um dos mais importantes pensadores de estratégia são atemporais e nunca perderam sua relevância e atualidade. Ainda que o mundo empresarial tenha tido acesso a novas ideias sobre negócios, a autora deixa claro que os conceitos apresentados por Porter continuam essenciais para o dia a dia de quem busca o sucesso de uma organização.
Um bônus do livro é um capítulo com perguntas respondidas pelo próprio Porter, com base nas dúvidas mais frequentes dos gestores. Essa obra permitirá que todos compreendam as ideias de Porter e saibam usá-las para levar sua organização ao sucesso.
Hora da consulta
MAGRETTA, J. &&Entendendo Michael Porter&&: o guia essencial da competição e estratégia. Rio de Janeiro: Alta Books, 2019.
Poder do hábito
O hábito tem um poder incrível em nossas metas e em nossos ganhos. Este livro apresenta mais detalhes sobre como você pode se beneficiar dos hábitos e de executar seus dias de uma forma harmônica.
Sim, isso pode ser aprendido e consolidado na sua rotina, de forma com que os novos hábitos passem a ser algo constante no seu dia a dia. Este livro é recomendado a todos aqueles que querem aprender mais sobre formação de novos bons hábitos e como aprimorar sua eficiência no dia a dia sendo mais produtivo.
O Poder do hábito se inicia com a história de um idoso, Eugene Pauly. Após uma cefalite viral, ele perdeu a capacidade de usar a parte do seu cérebro em que são armazenadas as memórias. Eugene tornou-se incapaz de aprender coisas novas. Tudo que chegava em seu cérebro desaparecia no minuto seguinte. Ele não se lembrava nem mesmo de onde ficavam o seu quarto e a cozinha da própria casa. Para que Eugene pudesse se exercitar, sua esposa o levava para uma curta caminhada de 15 minutos ao redor do quarteirão. Isso se repetia todos os dias. Em uma ocasião, Eugene saiu sozinho e simplesmente desapareceu.
A aflição tomou conta de sua esposa, uma vez que o marido não tinha memórias recentes e certamente estaria perdido. No entanto, para a surpresa de todos, em apenas 15 minutos, conforme sua rotina diária, Eugene voltou para casa. Mais alguns dias e ele foi capaz de começar a fazer o percurso sozinho. O que ocorreu com Eugene chamou a atenção de cientistas e se transformou em um caso de estudo.
Então, veio a descoberta: os hábitos, suas práticas rotineiras, são armazenados em uma área do cérebro totalmente diferente do lobo temporal, responsável pela memória. E o que isso significa? Significa que aprendemos e tomamos decisões inconscientes sem a necessidade de nos lembrarmos de fatos que estimularam a decisão ou o aprendizado. Aí está o poder do hábito. A excelência nas ações e nos resultados não passa pela sorte da gestão, e sim pelo preparo e pelo hábito.
Essas e outras histórias e exemplos de como se tornar mais produtivo e eficiente são descritos nesta obra. Cabe a leitura e o estudo na prática.
Hora da consulta
DUHIGG, C. O poder do hábito: por que fazemos o que fazemos na vida e nos negócios. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.
Liderança
Nesta obra, a autora Cristiane Correa, jornalista e palestrante de gestão e negócios, traz os bastidores do modelo de consultoria de Falconi e seus princípios de liderança, que levaram empresários e empresas, hoje grandes potências mundiais brasileiras, a estabelecerem metas da gestão ao chão de fábrica, construindo uma cultura participativa com olhar diferenciado da hierarquia empresarial.
O livro indicado relata em detalhes o pensamento e a trajetória de Falconi, revelando os princípios de liderança e gestão que podem transformar organizações grandes ou pequenas, públicas ou privadas. Além disso, conta os bastidores da consultoria criada por ele, em que, algumas vezes, disputas de poder colocaram em xeque as lições ensinadas pelo professor.
“O mestre ensinou que 70% do resultado é liderança. Porque, para as outras coisas – conhecimento, método –, você pode ter, no seu time, gente que preencha a lacuna, mas, se não tem liderança, não dá. O líder é aquele que faz o time confiar na própria capacidade, aquele que inspira as pessoas, dá feedback quando precisa, é duro, mas justo. Ele desenvolve as pessoas e faz elas acreditarem que podem muito mais do que podem.” – Carlos Brito, CEO da AB InBev.
Hora da consulta
CORREA, C. Vicente Falconi – O que importa é o resultado: O professor de engenharia que revolucionou o modelo de gestão no Brasil. Rio de Janeiro: Primeira Pessoa, 2017.
Accountability
Este livro rápido e leve traduz um dos comportamentos mais importantes da gestão.
Em uma tradução de gestão, o accountability é a responsabilidade de se envolver com resultado e solução do problema. No âmbito econômico, também pode ser representado pela capacidade de entregar resultado financeiro e cumprir acordos. Accountability é um aculturamento.
Não se dispõe dessa habilidade como uma soft skill (habilidade não técnica) comum. O conceito de “responsabilidade”, como fácil tradução para a língua portuguesa, é raso e pouco influente.
Tal comportamento envolve a visão do macroprocesso, em que a ação de um indivíduo na cadeia de produção terá impacto, podendo comprometer todo o processo. Desse modo, a participação de todos envolve o contexto nas decisões, que precisam ser responsabilizadas e compactuadas para a cultura de “bom para todos”.
Ter accountability é ter consciência do todo a todo tempo, no presente e no futuro.
Hora da consulta
CORDEIRO, J. Accountability: a evolução da responsabilidade pessoal – o caminho da execução eficaz. São Paulo: Editora Évora, 2013.
Chegamos ao final do Roteiro de Estudos. Agora, verifique a resolução do Caso Clínico e faça as Atividades Avaliativas. Bons estudos.
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